Sou o que quero ser, porque possuo apenas uma vida e nela só tenho uma chance de fazer o que quero. Tenho felicidade o bastante para fazê-la doce dificuldades para fazê-la forte, tristeza para fazê-la humana e esperança suficiente para fazê-la feliz. As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas, elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos." (Clarice L) <a href="http://www.youtube.com/watch?v=cno9MfOVOgU?hl=en&autoplay=1"><img src="http://www.gtaero.net/ytmusic/play.png" alt="Play" style="border:0px;" /></a>




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 ”Ele, você. Lembro-me de várias manias que você tinha, me recordo o jeito que você sorria, me recordo que você tinha seis sorrisos diferentes; quando você sorria por sorri; quando você sorria de alguma piada; quando você sorria ironicamente; quando você sorria sozinho, ao lembrar de algo; quando você sorria ao me ver; e quando você sorria ao me ver sorrir; era irônico, mas eu me lembro disso, e achava até engraçado. Me recordo que você saia com seu skate, vagando pela cidade, só para esparecer, pensar e refletir, saia sem rumo, sem hora para voltar, fazia isso pra afastar a tristeza e a dor que assolava seu coração, e quando voltava, estava imundo e com vários cortes, eu ia, lhe dava beijos para sarar, e dizia que iria passar, passava Mertiolate, e você sismava que ardia, eu lhe dizia que estávamos no século vinte e um e que Mertiolate não ardia mais. Lembra-se de quando fomos para praia juntos? E você me fez correr atrás de você naquela areia fofa? Me aguentou reclamando uns três dias de dor nas pernas, e eu ficava brava, porque você não estava com aquela bendita dor. Mas eu gostava de ficar sentada na areia lhe observando surfar;

— Amor, você viu o aéreo que eu dei? — você dizia isso explodindo de felicidade.

— Claro que vi, até bati palmas. — eu respondia rindo e me perguntando o que era o aéreo. 

            Toda vez que andávamos de carro juntos, você coloca aquele seu CD, o seu favorito, com suas músicas preferidas que eu gravei pra você. Já sabia cada letra e a melodia que acompanhava. Você ria de mim quando te olhava séria fazendo biquinho para por na rádio. Mas você sempre me contrariava. Lembro-me de quando estávamos sentados no chão do meu quarto e você sorriu, nunca havia visto aquele sorriso antes, o classifiquei como o sétimo sorriso, você pronunciou algumas palavras…

— Você promete ficar comigo? — você disse amedrontado.

— Como assim? Que história é essa? — Fique assustada, você nunca havia me dito isso antes.

— Ficar, cuidar, mimar, me amar… — você deu um sorriso de lado, era o seu sorriso “por sorrir”.

— Óbvio que sim.. — eu me levantei e fui até perto de você, lhe dei um beijo e sorri. — Estou aqui, agora, sempre.

— Forever and always… — você cantarolou e sorrio em seguida. 

            Lembra-se de quando eu toquei violão para você? Foi a primeira vez que o vi chorando, você sorria, chorava, sorria e cantava junto. Não sabia exatamente o que fazer… 

 ”Baby, I love you, i never want to let you go, the more I think about, the more I want to let you know. That everything you do, is super duper cute and I cant stand it…”

            Era uma das suas favoritas, você dizia lembrar-se de mim ao ouvi-la. Você sempre precisava de mim para ir comer, dormir… Lembro-me que você amava miojo, mas ao mesmo tempo odiava, comia por pura preguiça de fazer algo com mais sustância. Você não podia tomar nada com gás, mas como sempre muito teimoso, o fazia escondido e depois ficava se remoendo de dores. Era engraçado a forma quando você lia ou ouvia algo inesperado, você sorria, e chorava, sempre foi um chorão, era assim que eu lhe chamava né? Emotivo, é o que você é, até hoje imagino… Você era um completo viciado em abraços, vivia abraçando, eu, sua mãe. Ela dizia que você era um urso pimpão com “Free Hugs” escrito da barriga. Você sempre gostou de carinho e atenção, que o mundo ficasse em sua volta, mimado desde sempre. Eu me irritava quando você me trocava pelo seu joguinho, mas eu entendia que você relaxava e descontava sua raiva toda naqueles bonequinhos deformados. Você era cheio dos problemas, e sempre dizia que eu era a solução para todos. Você sempre foi viciado em gatos, mas nunca teve, alérgico da forma que era, impossível. Mas tinha um cachorrinho, fofo a igual você. Você sempre foi o conquistador barato que faziam as meninas se derreterem por você, você já teve o coração magoado e machucado diversas vezes, e era bem vingativo. Inseguro, chato, ciumento, possessivo. Três de suas características que era facilmente notadas. Era engraçada a forma que você teimava em dormir tarde, querer ver filmes só pra enrolar, e na maioria das vezes eu cedia, porque gostava de fazer tudo com você. Você sempre foi mais noveleiro do que eu, chorava com os capítulos mais idiotas existentes. E nos filmes de romance? Invertíamos os papeis, você quem chorava. Você sempre foi muito dramático, e por incrível que pareça, mais do que eu.

            Mas acabou não foi? Tudo se foi, nada dura para sempre, me recordo da última briga, você não queria, eu prometi ficar, você prometeu me amar, mas uma vez alguém me disse;

— Se você o ama, o deixe partir, se ele voltar é porque ele sempre será seu, se não voltar, você nunca o teve.

            Eu o fiz, lhe deixei partir quando você pediu e eu queria. Mas então você partiu, nunca voltou, sei que não irá voltar. E é por isso que tudo que escrevo classifico no passado, porque nunca haverá um futuro ao seu lado, muito menos um presente. Você está distante, seguimos caminhos opostos, mesmo você se recordando de tudo que fizemos juntos. Impossível se distanciar do passado, de histórias e lembranças.

— “Me encontra, ou deixa eu te encontrar…”

            Iremos nos encontrar em uma nova vida quem sabe, porque nessa, já fomos felizes juntos.”

(keepcal-m)



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